quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Monografia inclusão


Fonte: Faculdades Oswaldo Cruz
Pós Graduação em Psicopedagogia
Monografia ano 2004
Assunto: Inclusão
Autora: Magda Helena Alves Cunha de Almeida


Esse  trabalho  monográfico   já  tem  sete  anos  e  continua  firme  em  seu  propósito, de  esclarecer, formar  conceito, alterar condutas  e  apoiar  o  alunado  portador  de  necessidades  educativas  especiais.

A  inclusão social  do  deficiente  perpassa  por  uma  rede  intrínseca  no  mundo, ganhou  uma  dimensão  globalizada  e um  olhar próprio  que  contribuiu  para melhora  de qualidade  de  vida  dessa   parcela  expressiva  da  sociedade.
 

INTRODUÇÃO


O acesso ao atendimento à pessoa portadora de necessidade especial (PNE) no Brasil, iniciou no século XIX, caracterizada por iniciativa privada de brasileiros, oficiais e particulares, inspirados em experiências concretizadas na Europa e Estados Unidos da América do Norte.

A política nacional de educação especial no Brasil vem a ocorrer a partir do século XX, início da década de 60.

Foi um percurso que contemplou mudanças no entendimento das reais necessidades dos educandos, marcado pela natureza e abrangência das atitudes efetuadas para a educação dos Portadores de Necessidades Educativas Especiais (PNEE).

Segundo a Secretaria de Educação Especial o aluno PNEE é aquele que:

“por apresentar necessidades próprias e diferentes

dos demais alunos no domínio das aprendizagens

curriculares à sua idade, requer recursos pedagógicos

e metodológicos educacionais específicas”.

(Política Nacional de Educação Especial, 1994).
 
Os PNEE são classificados em portadores de deficiência (mental, visual, auditiva, física, múltipla), portadores de condutas típicas (problemas de conduta) e portadores de altas habilidades (superdotados).
 
A relevância deste trabalho monográfico é promover reflexões sobre a “estética” inclusiva.
 
Refiro-me a estética inclusiva, no sentido do aluno estar protegido pela legislação e ter acesso à escolarização (recursos do meio físico e humano), porém não haver suporte compatível para atendê-lo em suas reais necessidades para além de suas limitações, isto é, inclusão social.

A inclusão dos alunos PNEE transcende a esfera da aquisição dos conteúdos e adaptações do ambiente físico, pois sua vivência depende de uma teia de relações, sendo o papel da escola, promover condições para atitudes propiciadoras desta interação social.

Segundo Mantoan:

“A noção de inclusão institui a inserção de uma forma mais radical,

completa e sistemática. A inclusão causa uma mudança de

perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os

alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos:

professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham

sucesso na corrente educativa geral.” (Mantoan, 1988).

Sou professora da rede privada de ensino, leciono em classe de Educação Infantil no estágio de alfabetização, já trabalhei com Ensino Fundamental nos diferentes ciclos na rede pública e escola privada especializada em crianças portadoras de múltiplas necessidades especiais.
 
Atuando em variados segmentos educacionais pude perceber a real necessidade de pesquisar sobre os mecanismos de inclusão, no sentido de destacar os fatores que predispõe sua efetiva realização, transcendendo a ética aparente.

A ética no processo de inclusão, transparece no aparato de regras internas da instituição, que determinam direitos e deveres do corpo discente e docente, que por sua vez, tem respaldo na legislação em vigor.
 
Percebo que, inclusão para uma grande parcela de estabelecimentos de ensino, supõe “apenas” cumprir normas e garantir o acesso ao educando à vida escolar.

Ter acesso respaldado nas leis ou regulamentos internos da instituição escolar, não é suficiente para que haja inclusão de fato, somente aparenta de forma ética, segura e convincente, perpetuando a estética inclusiva.

Traço um paralelo entre a ética aparente e a estética permanente, nas relações de inclusão, voltadas às práticas escolares, na rede de ensino do Brasil.

Minha experiência extrapola o campo profissional, pois também sou mãe de três filhos, sendo um deles, inclusivo.

Um olhar, portanto diferenciado, pois vivenciou diversamente a inclusão, como mãe, professora, mulher e, sobretudo como membro de uma sociedade que se inscreve no tempo e constrói sua história.

Desde 1993 tenho lido, estudado, participado de cursos, palestras, debatido e lutado pelo aluno PNEE, junto às instituições de ensino, diretorias regionais e segmento social em que convivi.

Embaso essa escrita em:

         a) Alguns teóricos da educação que pesquisaram: a emoção, maturação biológica e as interações sociais em relação ao desenvolvimento da aprendizagem;

         b) Nas limitações de portadores de necessidades especiais para inserção escolar, segundo a legislação para aluno PNEE;

        c) Na Política Nacional para Educação Especial no Brasil;

       d) Em depoimentos de atores diretos e indiretos no cenário da inclusão escolar,  obtidos através de entrevistas e

        e) Na minha experiência profissional voltada à inclusão.

As entrevistas foram realizadas com abordagem Psicopedagógica, direcionando o olhar e escuta ao processo de inclusão escolar, a fim de possibilitar melhor compreensão das reais necessidades escolares dos alunos PNEEs e atuação da comunidade escolar nesse aspecto.

A Psicopedagogia atua com os processos psicológicos e pedagógicos ligados à aprendizagem e ensino, bem como às relações que facilitam esses processos.

Nas últimas décadas tem-se mostrado uma forte aliada e parceira indispensável para efetivação da inclusão nos mais variados segmentos sociais (escolares, familiares, comunidades de bairro, hospitais, etc.).

          Situei-me frente a produção dessa monografia por acreditar que toda experiência significa a prática e nesse sentido fui em busca de caminhos para trilhar a inclusão.

Cada movimento em direção a prática inclusiva foi fruto de reflexões, conflitos, inúmras tentativas, idas e vindas em constantes transformações, que não acabaram, complementam-se, à medida que, descubro uma gama de possibilidades ao lidar diversamente com a situação.

Acredito que as relações sociais constituídas no respeito às diferenças são ricas por considerar a individualidade dos seres, suscitando a ética dos indivíduos para formação de uma sociedade mais consistente e coerente.

             Segundo Delors:

            “Ante os múltiplos desafios do futuro, a educação

             surge como um trunfo indispensável à

             humanidade na sua construção dos ideais da paz,

             da liberdade e da justiça social”. (Delors, 1988)

Estou convicta de que a educação escolar pautada na diversidade e pluralidade cultural é fator preponderante para inclusão “humanizada” dos seres.



Magda Cunha



*Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em prendizagem,
consultora na rede pública e particular de ensino.
           mag-helen.maravilha@gmail.com








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